Currículo

Características do Ensino Fundamental Waldorf

Professor de Classe:

Os alunos permanecem com um mesmo professor de classe do 1º ao 8º ano, ou seja, até atingirem os 14 anos de idade. O professor de classe é apoiado por outros professores, nas aulas de línguas e de artes, podendo, também, ser assessorado nas matérias da área científica como física e química, assim como no desenho projetivo. Um forte relacionamento se desenvolve entre as crianças e o professor de classe, bem como entre elas mesmas. O professor torna-se capaz de conhecer cada criança, em profundidade, e, então, responder às necessidades educacionais e formativas de cada uma. Dá-se grande ênfase ao relacionamento de confiança entre professores e pais.

Música:

O ritmo diário – e o do ano – levam a marca da música. Aulas de canto e flauta começam, já no primeiro ano. A partir do terceiro ano, são iniciadas as vivências de violino, viola e violoncelo e, do quinto ano em diante, as crianças podem começar a formar a futura orquestra da Escola.

Trabalhos Manuais:

O trabalho manual dá à criança que o executa o sentimento real de independência. Se uma criança é capaz de fazer o próprio pão, tecer uma roupa que possa utilizar, fabricar utensílios e cuidar de uma planta que dará frutos, ela se sente muito mais segura no mundo. Além disso, a prática/ensinamento de tricô, crochê ou tecelagem, trabalhos de escultura, marcenaria e o uso de metais, levam os meninos e as meninas a desenvolverem habilidade manual que, através do estímulo das terminações nervosas digitais, incentiva faculdades mentais como a capacidade de discernir e julgar; trabalha a concentração e, além de atuar como educação estética, faz nascer um pensar mais criativo. As exigências profissionais, contrariamente ao que possa parecer, não são satisfeitas por uma aprendizagem focada em matérias específicas. Pelo contrário, estará mais apto, até mesmo, para profissões altamente especializadas, aquele jovem, cujo conjunto de faculdades é desenvolvido, harmoniosamente, sem qualquer especialização prévia.

Ensino em Épocas:

Na Pedagogia Waldorf, toda a grade curricular indicada pelo MEC é cumprida. A diferença é que, ao invés de utilizar a divisão das matérias em aulas de 45 minutos distribuídas durante a semana, utiliza-se o esquema de “Aulas Principais” e “Ensino em Épocas”. Nesse sistema, matérias que requerem muita descrição narrativa podem ser abordadas em profundidade, todas as manhãs, por três ou quatro semanas, em períodos de 110 minutos, sendo iniciadas com retrospectiva da aula anterior. Após essas semanas, o aprendizado é, então, levado ao “esquecimento”, ou seja, deixa-se o conteúdo descansar na criança. Enquanto este conteúdo decanta, uma nova matéria se inicia e, mais tarde, 4, 8 ou 12 semanas depois, retorna-se ao assunto, para resgatar o que ficou sedimentado e acrescentar novos conteúdos. Através do conhecimento do desenvolvimento infantil, o professor busca atingir o que vive no íntimo de cada fase, mantendo assim, acesa a chama do entusiasmo na criança. Este método leva à consolidação e aprofundamento da matéria em questão, sem que se perca o interesse pelos estudos.

Currículo inter-relacionado horizontal e verticalmente:

O currículo reconhece as necessidades da criança em crescimento/desenvolvimento. Todas as matérias curriculares são integradas, num ensino que compreende a informação como um dos meios para a formação e que visa desenvolver a criatividade, a imaginação e a integração social. A forma como a matéria é dada, respeita a individualidade de cada criança. Não no sentido de um ensino particular, dentro da sala de aula, mas no sentido de respeitar possíveis dificuldades e, conhecendo o aluno, criar caminhos para que ele possa aproximar-se dos resultados obtidos pela classe, como um conjunto.

Linguagem:

(Fala, Escrita e Leitura): A linguagem está no centro da pedagogia Waldorf. Sem ela, o próprio pensar não seria possível. A articulação dos sons está entre os grandes componentes do desenvolvimento humano. Logo em seguida, a auto-compreensão do indivíduo nasce, embora de uma forma ainda muito sutil. O ensino da gramática, espaçado sobre vários anos, começa na idade de 9 anos, quando a criança aprende porquê e para quê se fala de determinada forma. Ao mesmo tempo, a língua é trabalhada como instrumento de expressão e intencionalmente cultivada por meio de poesias, contos de fada, narrações, dramatizações, etc.  Daí resulta, paulatina, mas seguramente, uma sensibilidade para o estilo, para a beleza da língua. As grandes obras da literatura – e a própria história da literatura – completam, nas últimas séries, o domínio consciente desse grande veículo de expressão do espírito humano.

História:

Nos primeiros anos, os alunos percorrem pela vivência de contos de fada, lendas e mitos, a maneira de pensar e sentir de épocas passadas. No quinto ano, começa o ensino de história das velhas civilizações da Antiguidade, estabelecendo relações entre elas e os tempos modernos e atentando para o que ainda permanece. Até o fim do Ensino Fundamental, os alunos irão percorrer, uma vez, a história toda. A partir do nono ano, o estudo das ideias, das relações e correntes históricas começa a substituir as imagens anteriormente trabalhadas. No ensino médio, retoma-se o estudo sistemático, desde a Antiguidade, mas desta vez são os fatores sociológicos, geográficos, climatológicos e outros que recebem ênfase cada vez maior. No último ano, os alunos recebem noções de casualidade histórica e algumas das grandes teorias da filosofia, para que deixe a escola capaz de situar cada época, em particular a presente, no contexto da evolução e de fazer indagações coerentes sobre causas e relações que possam explicar o “porquê” dessa evolução.

Geografia:

É considerada em seu relacionamento com as diversas civilizações, com o habitat do homem (zoologia, botânica) e com as condições geológicas e climatológicas. O professor procura, sempre, contato com a realidade, para evitar qualquer abstração. A partir do quarto ano, os alunos fazem um pequeno mapa de seu ambiente imediato, alargando-o, em círculos concêntricos, para regiões mais afastadas, até que possam abarcar países inteiros e a Terra toda. As condições de vida, fatores econômicos, e mais tarde, a etnologia, as vias de comunicação, assim como fatores físicos, químicos e também a astronomia entram no campo de estudos. Desta forma, a geografia permanece concreta e viva, e fica ao alcance da compreensão dos alunos, dentro da sua faixa etária.

Línguas Estrangeiras:

É por imitação que as línguas estrangeiras são introduzidas, sem qualquer apelo ao intelecto. Não são feitas traduções. O ouvido da criança é acostumado a ouvir a língua estrangeira, constantemente, e ela aprende com o que resta das mesmas forças com as quais aprendeu sua língua materna, ou seja, as forças da imitação. Quando a criança alcança 9 a 10 anos de idade, a situação muda. Nesse período a consciência entra em função. E a escrita e a gramática são, pouco a pouco, introduzidas.

Matemática e Geometria:

O ensino parte da qualidade intrínseca de cada número, o que o aproxima da realidade, mantendo o calor humano, que a criança ainda necessita, sem exigir abstrações logo de início. Através do corpo e seus movimentos, é que os primeiros elementos da matemática devem ser assimilados. Assim, o aprendizado se faz mais alegre e atua em maior profundidade, o que acaba, de vê, com a má reputação da matemática. Propostas estéticas, como a tabuada que traça desenhos geométricos em suas relações numérico-espaciais, são muito bem aceitas e ajudam a criar vínculo entre ambas. Outra diferença fundamental é que no método tradicional de ensino usa-se o sistema sintético (5+7=?). Na pedagogia Waldorf utiliza-se o sistema analítico (12=?+?) Qual a diferença? No sintético apenas uma solução existe; 5+7=12. No método analítico, o ponto de partida é o todo: 12. A fantasia pode inventar um grande número de soluções, todas corretas: 5+7, 10+2, 6+6, etc. Ao introduzir as outras operações teremos: 12=3×4, 2×6, 2×5+2, 3×5-3. Quais as vantagens?

  • A fantasia traz uma intensa atividade mental. Os alunos se entusiasmam, o mundo árido dos números se transforma em campo de jogo.
  • Entra um elemento de liberdade, precursor da liberdade do pensamento. Na operação 5+2=7, não se abrem opções para o raciocínio.
  • Todos os alunos podem colaborar e têm uma chance maior de conseguir um resultado correto. Pelo número de soluções, que cada aluno é capaz de dar, o professor tem um excelente recurso para avaliar seus alunos, sem traumatizá-los.

Matérias Científicas (Ciências):

No Ensino Fundamental, a zoologia, a botânica, a mineralogia, a química, a física e a astronomia trazem o mundo para dentro da classe, abrindo os olhos dos alunos para ele. Dentro das ciências, o importante será apresentar, antes, os fenômenos para, apenas no dia seguinte, apresentar a explicação que, assim, não ficará tão abstrata. No Ensino Médio, o ensino de ciências continua. Traz-se um esquema um pouco mais intelectualizado, quantificado, porém incluindo, sempre, os aspectos qualitativos, que abrem perspectivas mais amplas e sempre ligando o saber ao seu centro natural, que é o homem. O enfoque é, ao mesmo tempo, científico e humano, exato e vivo.

Euritmia, uma Arte do Movimento:

Busca a essência da expressão artística através da harmonia entre som e movimento. Ao trabalhar sempre com obras de arte literárias e musicais, a Euritmia acompanha a criança, do Maternal ao Ensino Médio da escola Waldorf, contribuindo para o desenvolvimento sadio do indivíduo. Além de Euritmia, a partir do 3º.ano; há jogos e brincadeiras lúdicas, saltos de distância e altura,.etc. até chegar à Ginástica Bothmer, composta de exercícios físicos criados com o intuito de levar o jovem a vivenciar o espaço, em toda a sua dimensão.

Avaliação:

O boletim das crianças não tem o formato de uma série de tópicos com itens a serem marcados pelos professores. Em vez disso, o progresso das crianças é descrito detalhadamente em boletins escritos à mão, nos quais são mencionadas as habilidades sociais e virtudes como perseverança, interesse, motivação e força de vontade. O professor conhece bem os seus alunos e, ele próprio, é capaz de avaliar o que o aluno aprendeu ao invés do aluno ter que provar o que sabe. Ao final do 1º ano – e nos anos subseqüentes – o professor escreve um verso no boletim, exclusivo para cada aluno, pensando nas potencialidades a serem desenvolvidas no ano seguinte. Ao recitar esse verso, em determinado dia da semana, durante o ano escolar, aluno terá nele um incentivo para alcançar a meta proposta, sutilmente, pelo seu querido professor.

Inserção social:

Alunos Waldorf são, comumente, selecionados pelas melhores universidades do mundo, pois considera-se que adquirem capacidade de aprendizado e concentração criativa, acima da média. Diversos ex-alunos Waldorf estão, hoje, em altos cargos, em empresas no Brasil e no exterior. Outros tantos, atuam na área da medicina, da farmacologia, da biodinâmica, e muitos, também optaram – por vocação – por lecionarem em escolas Waldorf. O sucesso da inserção social do aluno Waldorf é comprovado por pesquisas. Um exemplo é a pesquisa recente realizada entre 125 ex-alunos da Escola Rudolph Steiner, de São Paulo, cujos resultados são, resumidamente, apresentados abaixo:

  1. a.   100% dos alunos, que prestaram vestibular, foram aceitos, sendo 91% na primeira tentativa; 68% entraram em faculdades de primeira expressão;
  2. b.   92% completaram, com êxito, o ensino superior;
  3. c.   99% estão atuando no mercado de trabalho, em diversas áreas de concentração. Apesar do currículo Waldorf se utilizar fortemente da arte, apenas 12% dos alunos formaram-se em carreiras artísticas.

Pesquisas realizadas em outros países apontam para resultados similares (ver http://www.waldorfresearchinstitute.org/waldorfed.html).

Revisado por D. Edith Asbech

 




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