{"id":76127,"date":"2019-09-30T08:25:13","date_gmt":"2019-09-30T11:25:13","guid":{"rendered":"https:\/\/michaelis.org.br\/?p=76127"},"modified":"2019-10-30T22:22:39","modified_gmt":"2019-10-31T01:22:39","slug":"paula-levy-e-a-fundacao-do-jardim-escola-michaelis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/michaelis.org.br\/?p=76127","title":{"rendered":"Paula Levy e a funda\u00e7\u00e3o do Jardim-Escola Michaelis"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_single_image media=&#8221;76152&#8243; media_lightbox=&#8221;yes&#8221; media_width_percent=&#8221;100&#8243; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fmichaelis.org.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2018%2F06%2FCalenda%25CC%2581rioMichaelis2019.pdf|title:Baixar%20em%20PDF|target:%20_blank|&#8221;][vc_single_image media=&#8221;76164&#8243; media_width_percent=&#8221;100&#8243;][vc_single_image media=&#8221;76129&#8243; media_lightbox=&#8221;yes&#8221; media_width_percent=&#8221;100&#8243; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fmichaelis.org.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2018%2F06%2FCalenda%25CC%2581rioMichaelis2019.pdf|title:Baixar%20em%20PDF|target:%20_blank|&#8221;][vc_single_image media=&#8221;76130&#8243; media_lightbox=&#8221;yes&#8221; media_width_percent=&#8221;100&#8243; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fmichaelis.org.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2018%2F06%2FCalenda%25CC%2581rioMichaelis2019.pdf|title:Baixar%20em%20PDF|target:%20_blank|&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_gutenberg]<\/p>\n<h3 class=\"p1\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\"><span style=\"color: #800080;\">A funda\u00e7\u00e3o do Jardim-Escola Michaelis<\/span> RODA DE CONVERSA COM SUA PRIMEIRA PROFESSORA, PAULA LEVY, COM CONTRIBUI\u00c7\u00d5ES DAS M\u00c3ES FUNDADORAS.<\/span><\/h3>\n<h6 class=\"p1\"><span class=\"font-329340\"><em><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #333333;\"><span style=\"color: #808080;\">Texto:<\/span> Fernanda Sans\u00e3o Hallack<\/span> (Transcri\u00e7\u00e3o na \u00edntegra da palestra ministrada no dia 22\/09\/18) <\/span><\/em><\/span><span class=\"font-329340\"><em><span style=\"color: #999999;\"><span class=\"s1\">Psic\u00f3loga, <\/span><span class=\"s1\">\u00a0m<\/span><span class=\"s1\">\u00e3e de dois filhos do Jardim-Escola Michaelis.<\/span><\/span><\/em><\/span><\/h6>\n<h5 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">O importante n\u00e3o \u00e9 a perfei\u00e7\u00e3o com a qual conseguimos realizar o que deve provir da vontade, e sim que o que tiver de surgir nesta vida, por mais imperfeito que venha a parecer, seja feito uma vez para que haja um come\u00e7o.<\/span><\/h5>\n<h5 class=\"p1\" style=\"text-align: center;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">Rudolf Steiner<\/span><\/h5>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> \u00a0Boa noite. \u00c9 uma grande alegria poder reviver e compartilhar como foi a funda\u00e7\u00e3o do Michaelis. \u00c9 tamb\u00e9m \u00e9 uma alegria ver que ele continua aqui firme, com vida e atendendo a tantas fam\u00edlias, tantas crian\u00e7as. Eu come\u00e7arei este relato expressando a gratid\u00e3o por aqueles que hoje cuidam do Michaelis. E, durante o relato, eu vou expressar gratid\u00e3o por aqueles que conseguiram traz\u00ea-lo ao mundo. \u00a0Eu remexi o ba\u00fa das mem\u00f3rias, trouxe algumas coisinhas para mostrar para voc\u00eas. Aos que participaram dos momentos, fiquem \u00e0 vontade para compartilhar. Eu vou \u201ctirar do ba\u00fa\u201d relembrando os momentos hist\u00f3ricos. N\u00e3o imaginei que ia ser um relato oficial, achei que ia ser uma conversa com a Comiss\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o da escola. Quando eu vi o comunicado \u00e0 escola, eu pensei: \u201cEnt\u00e3o eu vou estudar como foi esse nascimento (risos)\u201d. <\/span><\/h6>\n<h5 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">Eu me lembrei de uma pequena hist\u00f3ria de um homem que sempre pedia para o pai \u201ccome\u00e7ar o come\u00e7o\u201d da tangerina: \u201cPai, come\u00e7a o come\u00e7o!\u201d. Porque aquilo de voc\u00ea \u201ccome\u00e7ar o come\u00e7o\u201d fazendo o primeiro furo, aquilo \u00e9 muito dif\u00edcil. E a crian\u00e7a pequena n\u00e3o consegue normalmente. Mas se voc\u00ea faz o primeiro furo, a\u00ed parece que tirar o resto das cascas se torna um pouquinho mais f\u00e1cil. \u00a0Esta imagem \u00e9 preciosa para voc\u00eas. Principalmente para os que n\u00e3o estavam l\u00e1 (no per\u00edodo da funda\u00e7\u00e3o) terem no\u00e7\u00e3o de como foi \u201ccome\u00e7ar o come\u00e7o\u201d. E como foi \u201ccome\u00e7ar o come\u00e7o\u201d do nada. Porque hoje a tarefa \u00e9 \u00e1rdua e a casca continua dura. E o que a gente sentiu na pele \u00e9 que no Rio de Janeiro a casca dessa tangerina \u00e9 muito dura. Mesmo que ela seja muito doce. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil descasc\u00e1-la, de acordo com os relatos da primeira, da segunda, da terceira, da d\u00e9cima gera\u00e7\u00e3o&#8230; A gente nem sabe em que gera\u00e7\u00e3o mais (a Escola) est\u00e1 (agora) 25 anos depois. \u00c9 uma iniciativa j\u00e1 madura. \u00a0Tenho certeza de que tem muitas cascas a serem descascadas. Mas \u00e9 sempre importante que a gente guarde enquanto institui\u00e7\u00e3o, que a gente vele e zele para que essa mem\u00f3ria, o \u201ccome\u00e7o do come\u00e7o\u201d, nunca se perca. Porque nele surge o olho d\u2019\u00e1gua a partir do qual o leito vai se formando aos poucos. A gente n\u00e3o pode nunca deixar que esse olho (d\u2019\u00e1gua) seque. Porque ele vai internamente jorrar vitalidade para a institui\u00e7\u00e3o, se esta souber carregar na sua alma essa imagem, esse arqu\u00e9tipo do que\u00a0 ocorreu h\u00e1 25 anos. Quais foram os intentos, quais foram os impulsos que conduziram \u00e0 funda\u00e7\u00e3o?<\/span><\/h5>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Agora eu vou passar para os acontecimentos, da\u00ed a gente vai colhendo juntos os significados desses acontecimentos. E voc\u00eas perguntem, fiquem \u00e0 vontade, eu prefiro que seja uma conversa, n\u00e3o uma palestra. Havia na rua em que a <span style=\"color: #993366;\">Milka<\/span> comprou uma casa, na <span style=\"color: #993366;\">rua Carlos de Laet, na Tijuca<\/span>, um Jardim de Inf\u00e2ncia particular de uma pessoa chamada <span style=\"color: #993366;\">Elisabeth Soares<\/span>. Ele se chamava Arte no Quintal e ela fez um trabalho ali bastante intuitivo. Ela era a dona e ela cuidava dos m\u00ednimos detalhes. Ela realmente plasmou um ambiente e um <\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">trabalho pedag\u00f3gico fant\u00e1sticos. Com muita sensibilidade. Ent\u00e3o quem entrava naquela casa, uma bonita casa na Tijuca, daqueles casar\u00f5es antigos, um pouco at\u00e9 como este, mas com uma mangueira, um quintal de terra&#8230; <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #993366;\">Quem entrava sentia que atravessava um portal que ia ao encontro de uma inf\u00e2ncia verdadeira para seus filhos. De uma inf\u00e2ncia com a possibilidade de muito brincar, de muito respeito, de muito cuidado, de muito carinho e de aconchego. Ela vinha desenvolvendo esse trabalho intuitivamente, sendo guiada pelo cora\u00e7\u00e3o.<\/span> <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">At\u00e9 que chegou o momento em que ela sentiu que faltava algo. Ela precisou de um amparo maior, porque ela tinha ido at\u00e9 os limites do que dizia o cora\u00e7\u00e3o dela de m\u00e3e sobre o que seriam as necessidades das crian\u00e7as. Ela sentia que aquilo ainda podia ser mais investigado. Foi nessa busca que ela encontrou a Antroposofia. Ela come\u00e7ou a estudar com uma antrop\u00f3sofa que j\u00e1 faleceu, a dona <span style=\"color: #993366;\">Livia Landsberg<\/span>, e foi se encantando pela Antroposofia e a Pedagogia Waldorf. Foi quando ela falou que gostaria de permear o Arte no Quintal com a Pedagogia Waldorf, mas ela n\u00e3o tinha a menor no\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica pedag\u00f3gica. O que ela conhecia era a\u00a0 mera teoria. Ent\u00e3o ela come\u00e7ou a procurar, a conversar com um e com outro se tinha algum professor com alguma experi\u00eancia que quisesse vir para o Rio de Janeiro. <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Estamos falando de 1991, quando ainda nem existia internet. N\u00e3o era t\u00e3o f\u00e1cil procurar um professor, n\u00e3o existia Federa\u00e7\u00e3o das Escolas Waldorf, s\u00f3 existia um semin\u00e1rio no Brasil. Ali\u00e1s, acho que j\u00e1 tinha aberto outro (semin\u00e1rio). Mas era tudo mais dif\u00edcil naquela \u00e9poca e o movimento de Pedagogia Waldorf era pequeno, era restrito. Ela foi t\u00e3o perseverante que acabou sabendo que havia uma <\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">professora Waldorf em S\u00e3o Paulo que tinha a inten\u00e7\u00e3o de mudar para o Rio de Janeiro por quest\u00f5es pessoais. Ela (a pr\u00f3pria Paula, no caso) tinha um namorado no Rio de Janeiro. Isso teve um papel decisivo (risos dos presentes).<\/span><\/h6>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">Voc\u00eas v\u00e3o ver que tem muito amor o tempo inteiro na hist\u00f3ria do Jardim Michaelis do Rio de Janeiro. Ela (a hist\u00f3ria do Michaelis) tem muitas dificuldades, mas tem tamb\u00e9m muito amor. Tem um fio de dificuldades \u00e1rduas que foram sendo vencidas. Um fio de espinhos e outro fio de seda de muito, muito amor que foi impregnando nosso caminho. <\/span><\/h3>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Ent\u00e3o, <span style=\"color: #993366;\">em 1991<\/span>, a Elisabeth fez contato comigo, n\u00e3o havia Whatsapp (risos dos presentes), ela teve dificuldade de fazer o contato. Eu senti muito amor, senti muita verdade na busca dela, muitas boas inten\u00e7\u00f5es. <span style=\"color: #993366;\">Eu disse: \u201cSe quiser vamos correr o risco\u201d. Fiz as malas e vim. Vim para o Rio com esta miss\u00e3o de ser professora e trazer a Pedagogia Waldorf. <\/span><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> A Bete foi t\u00e3o investidora da pedagogia, que ao mesmo tempo em que ela fazia esse trabalho dif\u00edcil de \u201ccaptar com o cora\u00e7\u00e3o\u201d, ela tamb\u00e9m fez um trabalho conosco, com os pais, para saber se a gente aceitaria mudar a proposta pedag\u00f3gica. E eu n\u00e3o me\u00a0 \u00a0 lembro de ningu\u00e9m ter ido contra essa proposta. Ao contr\u00e1rio, a gente rezava para que a Paula aceitasse. A Paula era uma semente. Fez um trabalho muito, muito forte.Paula Levy: Ela (Elisabeth) era uma educadora nata. Da\u00ed eu vim e a gente fez esse trabalho no Quintal, mas as coisas n\u00e3o foram f\u00e1ceis. Porque, ao mesmo tempo em que havia muita sensibilidade pedag\u00f3gica, muita abertura por parte das fam\u00edlias que estavam l\u00e1, a Bete come\u00e7ou a enfrentar muitos problemas administrativos, financeiros e na vida pessoal. De alguma forma, ela foi se desvinculando do que estava acontecendo, foram surgindo outros chamados urgentes na vida dela. E o que n\u00f3s presenciamos, principalmente eu que tinha vindo com muita esperan\u00e7a, foi um ano de muito fenecimento. Um ano em que aquele trabalho, ao inv\u00e9s de florescer, come\u00e7ou a murchar. E isso tamb\u00e9m \u00e9 interessante. Algo que j\u00e1 existia foi murchando, foi morrendo para que surgissem frutos com novas sementes. \u00a0Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil viver isso. Foi um ano bem doloroso, de muitas instabilidades em todos os n\u00edveis. Eu me lembro que eu fiz uma horta com as crian\u00e7as, n\u00e3o nasceu nada na horta. E era um quintal lindo, tinha bichinho, e a gente via que a <\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">cada momento definhava alguma coisa. No segundo semestre, o per\u00edodo da tarde teve que ser fechado, n\u00e3o tinha n\u00famero suficiente de crian\u00e7as para bancar os dois per\u00edodos. Agrupamos todos no per\u00edodo da manh\u00e3. At\u00e9 que, finalmente, ela (Bete) teve coragem e nos disse: \u201cNo fim do ano eu vou fechar\u201d. Os funcion\u00e1rios choravam, eu estava muito tensa: \u201cNossa, mas como a gente vai fechar?\u201d A Bete estava muito, muito triste, e os pais tamb\u00e9m. Porque nesse meio tempo a gente havia come\u00e7ado um grupo de estudos. Ent\u00e3o eles estavam vendo gradativamente a transforma\u00e7\u00e3o de um trabalho caminhando para a Pedagogia Waldorf, para essa ess\u00eancia antropos\u00f3fica. A gente estava desde o primeiro semestre estudando, as m\u00e3es fizeram uma boneca naquele ano. A gente estudava a natureza an\u00edmica da crian\u00e7a. Ent\u00e3o estava todo mundo muito empolgado. \u00a0Da\u00ed as m\u00e3es se reuniram e come\u00e7aram a procurar desesperadamente um <\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">novo espa\u00e7o para tentar mudar para uma nova casa. Procuraram, procuraram, procuraram e n\u00e3o encontraram nada. J\u00e1 pairava no grupo a ideia: \u201cvamos partir para uma associa\u00e7\u00e3o!\u201d. \u00a0N\u00e3o conseguimos. Foi um per\u00edodo muito significativo desta institui\u00e7\u00e3o. Veio o Natal, o Arte no Quintal fechou, todas as fam\u00edlias se despediram com muita tristeza. Das lembran\u00e7as que eu tenho do meu di\u00e1rio da \u00e9poca, mas com certeza voc\u00eas do grupo de m\u00e3es devem recordar mais detalhes, foi de que at\u00e9 fevereiro (do outro ano) algumas m\u00e3es n\u00e3o tinham matriculado (seus filhos) em outra escola. Na esperan\u00e7a de que ainda surgisse alguma solu\u00e7\u00e3o divina que fizesse aparecer uma casa. Mas da\u00ed elas falaram: \u201cN\u00e3o! A vida das crian\u00e7as prossegue\u201d. Ent\u00e3o algumas foram para a escola Vivendo e Aprendendo, da linha freinetiana, outras foram para a escola dos irm\u00e3os&#8230; Todos tinham que tocar a vida.<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 dizendo que a sua participa\u00e7\u00e3o neste grupo foi determinante! Voc\u00ea trazia as artes para a gente, a gente fazia bonecos, a gente aprendia a cozinhar, v\u00e1rias coisas que se formaram nessas m\u00e3es tiveram a sua participa\u00e7\u00e3o. Eu tenho certeza<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> Foi fundamental. <span style=\"color: #993366;\">A gente escutava. Come\u00e7ou uma escola Waldorf ao mesmo tempo em que se formavam pais Waldorf. \u00c9 interessante isso, nunca tinha pensado. Porque a escola n\u00e3o era Waldorf, nem n\u00f3s. Foi ao mesmo tempo. Quem <\/span><\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #993366;\">alinhavou este caminho foi a Bete e depois a Paula. \u00a0<\/span><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> Quando eu olho hoje, fico abobada. <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">Eu tinha 25 anos, n\u00e3o tinha filhos. Com 25 anos, eu tinha pouca experi\u00eancia, mas eu tinha vontade e reconhecia na Antroposofia um caminho fant\u00e1stico de conhecimento. Eu acho que o que foi unindo a gente foi a abertura de cada uma de voc\u00eas para conhecer esse caminho, eu fui s\u00f3 um instrumento para que voc\u00eas pudessem beber na pr\u00f3pria ci\u00eancia espiritual antropos\u00f3fica. Principalmente no aspecto pedag\u00f3gico. Porque o n\u00facleo essencial da Antroposofia vai chegar um pouco depois. Daqui a pouco a gente chega l\u00e1. <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Eu at\u00e9 anotei que quando foram para outra escolinha algumas m\u00e3es mencionaram que as crian\u00e7as adoeceram. Elas ficaram preocupadas. Acho que, claro, a crian\u00e7a capta o que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o dos pais. Ficou assim. \u00a0Na P\u00e1scoa, a gente reativou o grupo de estudos, mas s\u00f3 com o objetivo de estudar, de trocar ideias&#8230; J\u00e1 que n\u00e3o dava para ter um jardim Waldorf, que cada casa pudesse ser Waldorf. E que cada fam\u00edlia levasse para seu grupo o que fosse poss\u00edvel. Ent\u00e3o a gente se encontrava. Eu anotei aqui. Que bonito esse trecho porque ele tem a ver com o fio de amor: <\/span><\/h6>\n<h5 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">\u201cUma forte amizade surgiu entre as pessoas deste grupo e estas crian\u00e7as. Algo especial que nunca observei antes. Brotou no seio do grupo uma grande solidariedade.\u201d Isso come\u00e7ou a ser o b\u00e1lsamo para o trabalho em si. Surgiu um lastro de confian\u00e7a que fez com que a gente fosse capaz de fazer algo comum, algo que fosse dif\u00edcil, algo que n\u00e3o \u00e9 cotidiano. <\/span><\/h5>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Hoje, eu brinco, abrir jardim Waldorf no Brasil afora \u00e9 igual pipoca que arrebenta na panela. O que causa at\u00e9 temor. Mas a gente est\u00e1 falando de 25 anos atr\u00e1s. A gente est\u00e1 falando de uma cidade que, at\u00e9 hoje, em minha opini\u00e3o, continua sendo a mais desafiadora para a Antroposofia e a Pedagogia Waldorf.<\/span><\/h6>\n<h5 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">Por isso, \u00e9 lindo ver que esta luz continua acesa aqui dentro. Que voc\u00eas est\u00e3o conseguindo velar por este impulso que foi plantando numa terra muito dura. Foi muito dif\u00edcil cavar. E a gente v\u00ea que o crescimento desta escola \u00e9 lento, \u00e9 desafiador, a gente leva o dobro do tempo para fazer o que outras escolas fazem. Claro, sempre h\u00e1 luta em toda escola Waldorf. \u00a0Mas aqui a luta parece que \u00e9 em dobro. \u00a0<\/span><\/h5>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Ent\u00e3o este era o grupo: a <span style=\"color: #993366;\">Dora, m\u00e3e do Marco Antonio; a Zuleide, m\u00e3e da Beatriz; a Rosana, m\u00e3e do Cai\u00e3; a Marta, m\u00e3e do Pedro; <\/span><\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #993366;\">a Claudia, m\u00e3e da Diana.<\/span> E, tamb\u00e9m, estas m\u00e3es que n\u00e3o conseguiam ir aos encontros, mas trabalhavam e estavam junto conosco: <span style=\"color: #993366;\">a Milka, m\u00e3e da Luiza; a C\u00e1tia, da Julia; a Ela\u00edse, da Taissa; e a Claudia, da Nanda<\/span>, nesta \u00e9poca ainda estava por perto. Da\u00ed, gente, num belo dia, a Dora, do Marco Antonio, entrou em crise e falou que ia tirar o filho da escola porque estavam come\u00e7ando a alfabetizar o Marco Antonio. E a gente falou. \u201cDora, relaxa, calma\u201d. E ela falou: \u201cEu vou tirar, porque n\u00f3s vamos encontrar um lugar. Eu n\u00e3o deixo mais meu filho ali\u201d. <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #993366;\">Eu acho que esse ato de coragem da Dora tamb\u00e9m foi muito decisivo, faz parte da hist\u00f3ria desta comunidade.<\/span> Da\u00ed ela o tirou (da escola) e come\u00e7ou a procurar lugares que nem louca pela Tijuca. E n\u00e3o \u00e9 que ela encontrou? Ela encontrou uma casinha na <span style=\"color: #993366;\">Avenida Maracan\u00e3,<\/span> uma casa bonita tamb\u00e9m, onde funcionava uma escola de artes que se chamava <span style=\"color: #993366;\">Oca<\/span>. Era uma oficina de cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas dirigida por jovens, na qual entrava pouco dinheiro. Tinha o quintal, uma ed\u00edcula com uma escadinha e um banheirinho no quintal. Eles concordaram em sublocar esse espa\u00e7o. \u00a0O grupo come\u00e7ou a debater:\u201c Ser\u00e1 que vai dar, ser\u00e1 que n\u00e3o vai dar&#8230;\u201dDa\u00ed ela (Dora) levou a gente para conhecer a casa e a gente come\u00e7ou a achar que podia ser interessante. <span style=\"color: #993366;\">Era uma sala min\u00fascula, metade desta, sala pequen\u00edssima, um <\/span><\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #993366;\">quintal pequen\u00edssimo, tinha uma escada, um banheiro que era um \u201cai meu deus\u201d (risos dos presentes), mas o desejo de p\u00f4r essa semente no mundo era t\u00e3o grande em todas n\u00f3s que nenhuma teve coragem de dizer que era uma loucura.<\/span> A gente falou&#8230;<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> \u00a0Mas tinha quintal!<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> \u00a0Tinha um quintalzinho (O carma do Michaelis que tem pouco quintal!), mas, enfim, falamos, vamos tentar! Da\u00ed, eu fiz uma proposta pedag\u00f3gica, eu falei: Ningu\u00e9m tira o filho da escola, a gente n\u00e3o sabe se vai dar certo. Vamos fazer uma <\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">col\u00f4nia de f\u00e9rias. Est\u00e1vamos em abril. Combinamos assim: em maio e junho a gente reforma o espa\u00e7o, a gente permeia. Porque tudo estava caindo aos peda\u00e7os. A gente vai deix\u00e1-lo habit\u00e1vel. Em julho, as crian\u00e7as v\u00eam para uma col\u00f4nia de f\u00e9rias. Se a gente vir que a din\u00e2mica do dia a dia funciona&#8230;Tinha uma escada, eram crian\u00e7as do primeiro set\u00eanio. Vamos ver. Dependendo, em agosto a gente passa para a etapa de implanta\u00e7\u00e3o definitiva. E assim foi. Fizemos assim. Deu tudo certo. Entre maio e junho essas m\u00e3es trabalharam desesperadamente ali e ficou lindo! Ficou um espa\u00e7o que a gente n\u00e3o acreditava porque ele era aconchegante. <span style=\"color: #993366;\">Tudo pequenininho, mas ele tinha vida, <\/span><\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #993366;\">tinha et\u00e9rico ali.<\/span> \u00a0Tinha um pequeno detalhe que era complicado. N\u00e3o t\u00ednhamos uma entrada independente. Para chegarmos no nosso para\u00edso particular dos fundos, a gente tinha que passar pela Oca. Como o trabalho de atividade art\u00edstica deles n\u00e3o tinha decolado, \u00e0 noite eles davam festas para arrecadar dinheiro para pagar o aluguel. A casa n\u00e3o era deles tamb\u00e9m. Tinha uma m\u00e3e que chegava muito cedo, a Zuleide. Normalmente n\u00f3s duas entr\u00e1vamos, abr\u00edamos a porta e \u00edamos recolhendo as garrafas de cerveja que estavam jogadas na casa. Porque eram festas bem pesadas. \u00c0s vezes, a gente chegava e tinha gente dormindo pelo ch\u00e3o, pelo sof\u00e1. E a gente ia, em sil\u00eancio, recolhia as garrafas, mas parece que a gente fazia isso com tanto amor, tanto amor, que as crian\u00e7as conseguiam passar por esse ambiente pesado, por esse astral pesado, comum anjo protegendo cada uma delas. \u00a0<span style=\"color: #993366;\">A gente encontrou uma passagem secreta.<\/span> Tinha muito lixo l\u00e1. Da\u00ed n\u00f3s fizemos um mutir\u00e3o para tirar o lixo. Mas eu nunca vou esquecer uma reuni\u00e3o que a gente fez com esses rapazes (da Oca). Eles queriam aumentar o aluguel. Mas elas (as m\u00e3es) eram briguentas, porque era dif\u00edcil. As nossas contas eram justinhas. Da\u00ed chegou uma hora que um deles concordou que (o aluguel) n\u00e3o devia aumentar. <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Ele falou que admirava muito o trabalho que a gente estava fazendo. Porque era comovente. Porque a gente estava sempre lutando, sempre depurando aquela astralidade. Incansavelmente, todas as m\u00e3es sempre estavam l\u00e1, limpando aquele quintal, pintando, trazendo uma flor. De noite, a coisa degringolava. E a gente de novo, e de novo. <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Da\u00ed um deles falou que nos admirava muito, pois n\u00f3s \u00e9ramos a \u201cflor de l\u00f3tus no p\u00e2ntano\u201d.<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> \u00a0Eu n\u00e3o sabia dessa parte. Inclusive Tijuca quer dizer \u201cTerreno alagado\u201d. A Tijuca quase toda era alagada. Tem esta correla\u00e7\u00e3o.<\/span><\/h6>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> <span style=\"color: #993366;\">N\u00f3s nascemos flor de l\u00f3tus, entendem? <\/span><\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #993366;\">Isso tem um significado espiritual profundo que a institui\u00e7\u00e3o nunca pode esquecer.<\/span><\/span><\/h3>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">E eu, naquela juventude, vendo aquele grupo de m\u00e3es pioneiras, fiquei me sentindo muito insuficiente para alimentar <\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">aquele grupo. Porque \u00e9 a tarefa do professor! Ent\u00e3o eu comecei a pedir ajuda. <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">E est\u00e1vamos naquela mesma \u00e9poca (sem internet) em que n\u00e3o era f\u00e1cil conseguir ajuda. Eu me dirigi aos antrop\u00f3sofos do Rio de Janeiro, que eram poucos, mas obtive muito pouca ajuda. N\u00e3o foi t\u00e3o f\u00e1cil. Uma amiga veio de S\u00e3o Paulo, uma professora Waldorf mais experiente, visitou o espa\u00e7o, eu contei toda a dificuldade que a gente enfrentava diariamente. Ela olhou para mim e disse: \u201cVoc\u00ea \u00e9 louca! Como voc\u00ea est\u00e1 fazendo um jardim Waldorf nessa situa\u00e7\u00e3o?\u201d <\/span><\/h6>\n<h5 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">Eu olhei para ela e tive a certeza, como um raio no meu esp\u00edrito, e falei: \u201cQual a op\u00e7\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o fazer? Se for n\u00e3o fazer, n\u00f3s vamos continuar fazendo\u201d. Nessas condi\u00e7\u00f5es, o que nos foi dado foi isso e n\u00f3s n\u00e3o vamos desistir. Elas n\u00e3o desistiram, n\u00e3o desistiram em momento algum, como eu ia desistir? Ent\u00e3o uma ajudava a outra, o esp\u00edrito de grupo estava ali, isso tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser esquecido. Esta institui\u00e7\u00e3o nasceu com um lastro de solidariedade inimagin\u00e1vel. \u00a0<\/span><\/h5>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Nessa busca de ajuda, eu conheci a <span style=\"color: #993366;\">Daisy Cabrera<\/span>, que era uma estudante ativa da Antroposofia aqui no Rio. Ela era a aluna querida da dona Livia Landsberg. Eu falei para ela: \u201cDaisy, vem, faz voc\u00ea o grupo de estudos com as m\u00e3es porque o que eu sei est\u00e1 insuficiente para aliment\u00e1-las\u201d. Ela disse que n\u00e3o podia, que era na Tijuca&#8230; <\/span><\/h6>\n<h5 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">At\u00e9 que eu tive um sonho:que eu tinha tido nen\u00e9m e que eu pedia para ela ajudar a dar de mamar para esse beb\u00ea. Contei para ela o sonho e na hora ela falou: \u201cEnt\u00e3o eu vou! Conte comigo porque agora o mundo espiritual est\u00e1 me chamando\u201d. Ela foi muito acolhida e foi um grande pilar para a gente. \u00a0<\/span><\/h5>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">O Jardim Michaelis nunca teve muita ajuda. Espero que hoje isso tenha mudado. A gente remava sozinho. A gente n\u00e3o tinha o amparo dos que podiam contribuir com guarda espiritual, contribuir com dinheiro, com simpatia, contribuir com um abra\u00e7o. E a gente foi lutando ali como podia. E a Daisy abra\u00e7ou. Ela nos abra\u00e7ou plenamente e se vinculou de tal forma que ela passou a carregar os destinos deste Jardim, a se responsabilizar e a apoiar. Isso era 1993. \u00a0<span style=\"color: #993366;\">O Jardim nasceu na col\u00f4nia de f\u00e9rias de julho de 1993<\/span> e em dezembro eu <\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">fiquei gr\u00e1vida. E a\u00ed nos perguntamos: \u201cComo vamos fazer?&#8221;<\/span><\/h6>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #993366;\"><span class=\"font-329340\">Importante falar disso. Este \u00e9 um dado que eu gosto: Quando a gente estava procurando im\u00f3vel, eu estava para casar e procurando casa para morar. A Zuleide falou: \u201cPaula, porque voc\u00ea n\u00e3o faz na sua casa? Faz o seu Jardim e a gente se matricula l\u00e1\u201d. Eu disse: \u201cN\u00e3o, Zuleide, n\u00e3o vou fazer. Porque o meu desejo e o do grupo \u00e9 que o Jardim n\u00e3o tenha dono. Esse \u00e9 o caminho mais f\u00e1cil, mas a gente vai fazer o mais dif\u00edcil. <\/span><span class=\"font-329340\">O importante \u00e9 que a gente funde um <\/span><span class=\"font-329340\">Jardim que n\u00e3o seja nosso. Que ele possa viver nessa cidade como um templo da educa\u00e7\u00e3o para todas as fam\u00edlias que nos anos futuros tamb\u00e9m desejarem esse impulso para os filhos deles\u201d. \u00a0E assim fizemos.<\/span><\/span><\/h3>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Eu fiquei gr\u00e1vida, conseguimos que a<span style=\"color: #993366;\"> Dinah Melo<\/span> assumisse o trabalho e eu me afastei. Era uma turma \u00fanica. Eu n\u00e3o estou falando os nomes das crian\u00e7as&#8230; Tem tanta coisa bonita! Enfim, sen\u00e3o a gente n\u00e3o encerra este relato&#8230; A gente fundou porque l\u00e1 no mundo espiritual eles disseram que queriam esse impulso. N\u00f3s apenas obedecemos e realizamos. Eles foram os grandes pioneiros. Eu fiquei um ano com a turma. A Dinah assumiu. N\u00e3o dava mais para ficar na Tijuca. A Daisy articulou e sa\u00edmos desse ambiente degradado, em termos de astralidade, e fomos para o alto da Gl\u00f3ria, na Comunidade de Crist\u00e3os do Rio de Janeiro. <\/span><\/h6>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">Parece que o mundo espiritual ouviu de alguma forma aquela ora\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de n\u00e3o desistir, de trabalhar, de fazer o que era poss\u00edvel fazer. \u00c9 isso que eu acho que tamb\u00e9m pode ser o legado para a comunidade atual que carrega esta escola. N\u00e3o desistir. N\u00e3o desistir nunca. Fa\u00e7a o que pode ser feito, mas fa\u00e7a com amor e idealismo. Voc\u00eas podem se orgulhar de que esta institui\u00e7\u00e3o nasceu com idealismo mais puro, mais genu\u00edno, foi um diamante. Nem todas as institui\u00e7\u00f5es nascem assim. \u00c0s vezes o idealismo tem que vir depois para consertar muita coisa. Nesta (institui\u00e7\u00e3o) n\u00e3o. A gente tem isso.<\/span><\/h3>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> \u00a0Apesar da astralidade, as crian\u00e7as deram nome para a escola: Castelinho. Porque elas enxergavam de outra forma. Era o conto de fadas delas.<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> A gente fazia envolt\u00f3rio. Era lindo. Mas eu acho que n\u00e3o foi s\u00f3 a gente, foram os anjos. A gente n\u00e3o teve ajuda aqui, pr\u00e1tica, mas a gente teve ajuda de seres espirituais que ficaram com pena. Eles falaram \u201cGente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, eles n\u00e3o v\u00e3o desistir! Alguma coisa a gente vai fazer por eles\u201d (risos dos presentes).<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Professora Thassia Porto:<\/span> \u00a0A escolha do nome foi nessa \u00e9poca?<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> \u00a0N\u00e3o tinha nome. O Jardim ficou dois anos sem nome. Era Castelinho para as crian\u00e7as. N\u00f3s est\u00e1vamos preocupados em fazer o trabalho que tinha que ser feito. Vejam isso aqui: s\u00e3o curiosidades, mas eu achei que podia ser gostoso. N\u00e3o existia impressora tamb\u00e9m na \u00e9poca (risos dos presentes). Muita coisa era diferente. Este foi o calend\u00e1rio de atividades que eu entreguei na matr\u00edcula, em maio de 1993, junto com um trecho da Pedra Fundamental por escrito. E uma homenagem ao (Jardim) Arte no Quintal.<\/span><\/h6>\n<h5 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #993366;\"><span class=\"font-329340\">Eu escrevi aquele trecho do Steiner: \u201cDe fato, nada surge do nada, mas uma coisa pode transformar-se a ponto de morrer para que outra surja\u201d. <\/span><span class=\"font-329340\">Porque a gente tem que ser capaz de honrar as nossas ra\u00edzes. Isso foi uma frase que eu aprendi com a Daisy. Se a gente n\u00e3o for capaz de honrar nossa hist\u00f3ria, nosso passado, a gente n\u00e3o vai ser merecedor do futuro. \u00a0<\/span><\/span><\/h5>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">No dia que a gente estava inaugurando, nos nossos cora\u00e7\u00f5es, a Bete estava com a gente. E a gente sabe bem que nesse \u201centregar o cajado\u201d, o c\u00e1lice, de uma gera\u00e7\u00e3o para outra, \u00e0s vezes surgem atritos de todos os lados. A gente sabe que \u00e0s vezes quem est\u00e1 com o cajado se apega tanto a ele que n\u00e3o quer entreg\u00e1-lo totalmente. N\u00e3o \u00e9? <\/span><\/h6>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #993366;\"><span class=\"font-329340\">Mas \u00e9 importante a gente sempre lembrar que esta \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que tem esse compromisso com a comunidade, com a vida social, em trazer um impulso diferente para a humanidade. <\/span><span class=\"font-329340\">Aqui, a gente tem que conseguir se entender. Aqui, a gente tem que conseguir dialogar. Aqui, a gente tem que sair do nosso ponto de vista e olhar outros \u00e2ngulos. <\/span><\/span><\/h3>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">J\u00e1 mesmo no Arte no Quintal foram chegando v\u00e1rios outros que foram arrega\u00e7ando as mangas, impulsionando, que foram se harmonizando com essa comunidade que crescia. <span style=\"color: #993366;\">Em 1998<\/span>, a <span style=\"color: #993366;\">Denise Domingues<\/span> chegou e assumiu o trabalho porque a Dinah optou pela carreira art\u00edstica. Foi uma excelente professora. Por um tempo, ficamos sem professor. At\u00e9 que encontramos a Denise, uma carioca que estava voltando de Mirant\u00e3o (RJ), onde trabalhou numa comunidade. Tamb\u00e9m uma excelente professora, com tarimba no trabalho social porque veio da escolinha e da rede p\u00fablica de Mirant\u00e3o. <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">E, de novo, houve um ato de coragem. O Jardim Michaelis estava l\u00e1 no alto da Gl\u00f3ria, mas n\u00e3o tinha mais alunos. <span style=\"color: #993366;\">Ela falou: \u201cEu venho com meu filho e vou come\u00e7ar a limpar, a podar as plantas e quem quiser que venha tamb\u00e9m!\u201d. Ela vivificou o Michaelis. <\/span><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Eu estava em casa tendo filhos. Porque eu tive tr\u00eas nesse per\u00edodo. \u00a0Voc\u00eas lembram que eu falei daquela m\u00e3e que tirou o filho <\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">(da escola tradicional) porque ela n\u00e3o queria que ele fosse alfabetizado? Ela falou: \u201cEu vou procurar!\u201d. \u00c9 esta crian\u00e7a que estou passando a foto. <\/span><\/h6>\n<h4 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #993366;\">A gente deve muito a esta crian\u00e7a espec\u00edfica. Em 1994, ela (Marco Antonio) ficou doente.<\/span> <span style=\"color: #993366;\">Ele ia ao nosso Castelinho, a gente tinha uma imagem de Micael e ele fazia carinho, carinho, naquele arcanjo.<\/span> <\/span><\/h4>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Ele come\u00e7ou a apresentar muitos sintomas, dores, medos&#8230; Ele estava com c\u00e2ncer da supra-renal. E o Marco Ant\u00f4nio faleceu. Ele ainda foi para o alto da Gl\u00f3ria, mas com muitas interna\u00e7\u00f5es, ele n\u00e3o resistiu. A urg\u00eancia dele por esse impulso da pedagogia antropos\u00f3fica na sua biografia moveu a gente. Ele tinha pressa. N\u00e3o dava para demorar tanto. Que bom que a m\u00e3e dele teve sensibilidade. Ele n\u00e3o <\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">foi alfabetizado. Ele foi direto para o c\u00e9u. Porque depois que a gente \u00e9 alfabetizado tem escalas. O pai dele conseguiu comprar um celular. Estava come\u00e7ando a ter celular. Nessa \u00e9poca, celular era s\u00f3 para gente rica. Ele comprou (um celular) e foi na Festa da Lanterna para gravar a gente cantando para o filho poder ouvir. Eu nunca vou relatar esta hist\u00f3ria sem fazer homenagem a ele. O Jardim-Escola Michaelis tem um de n\u00f3s no c\u00e9u. Espero que seja s\u00f3 ele. Espero que a nossa comunidade n\u00e3o tenha (no c\u00e9u) outros t\u00e3o jovens.<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> \u00a0Ele promoveu uma uni\u00e3o maior no nosso grupo. A gente lutou muito, ele chegou a ir para um tratamento no exterior, a gente conseguiu que ele fosse recebido pelo J\u00f4 Soares para divulga\u00e7\u00e3o, para o transplante de medula. Ele foi para o exterior. <\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Cem mil reais na \u00e9poca a gente conseguiu. <span style=\"color: #993366;\">Aquilo nos uniu, fortaleceu anos nossa uni\u00e3o, extrapolou tudo: pedag\u00f3gico, escola e tudo o mais&#8230;<\/span><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> \u00a0Campanhas&#8230; Muito doloroso isso.<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> \u00a0E as crian\u00e7as terem que lidar com a perda do coleguinha. No enterro do Marco Antonio, ela pediu para a gente cantar as m\u00fasicas da Lanterna. A gente cantou. Foi lindo. <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> <span style=\"color: #993366;\">\u00a0\u00c9 importante como comunidade n\u00e3o esquecermos que tem um de n\u00f3s l\u00e1.<\/span> Este \u00e9 um desenho dele, eu fiquei t\u00e3o feliz. Nossa (eu pensei), que bom que ele tem a imagem completa de ser humano nele! Achei lindo este desenho. Guardei, guardo at\u00e9 hoje. Tenho de todos (os alunos), mas s\u00f3 trouxe este.<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Sobre o nome (Michaelis), eu vou deixar este desenho aqui com voc\u00eas. Dizem que a gente vai ficando velha e tem que come\u00e7ar a desapegar. \u00c9 um treino para a morte. A gente tem que come\u00e7ar a se desfazer. \u00c0s vezes, o que \u00e9 mais caro n\u00e3o \u00e9 o patrim\u00f4nio material, mas o que est\u00e1 em nossos ba\u00fas. Esses que nos s\u00e3o t\u00e3o caros.Vou deixar porque talvez tenham uma biblioteca e, com 25 anos de hist\u00f3ria, precisam come\u00e7ar a document\u00e1-la. Juntar os arquivos hist\u00f3ricos. Daqui a pouco teremos 50 anos<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Professora Alessandra Miguez:<\/span> Justamente sobre a mem\u00f3ria, n\u00f3s (professoras) do Fundamental fizemos um trabalho de resgate. Abrimos nossas reuni\u00f5es com o livro do anivers\u00e1rio de 2005. Tem relatos e desejos de algumas m\u00e3es que est\u00e3o aqui e o seu tamb\u00e9m. Abrimos as reuni\u00f5es de ter\u00e7a-feira (do Fundamental) com a leitura do desejo da Daisy, porque ela abriu esse livro, j\u00e1 lemos o seu tamb\u00e9m. Est\u00e1 l\u00e1 em cima guardadinho. Tem desejos muitos potentes, muito amorosos. Gratid\u00e3o enorme a quem veio antes de n\u00f3s. Estamos aqui, n\u00e3o somos perfeitos. Coragem:\u00e9 a palavra que n\u00f3s usamos para continuar carregando essa chama. E o desejo de que os que venham depois de n\u00f3s, quando j\u00e1 n\u00e3o estivermos aqui, tamb\u00e9m possam carregar essa chama.<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> \u00a0Voc\u00eas t\u00eam tarefas \u00e1rduas pela frente. A gente \u201ccome\u00e7ou o come\u00e7o\u201d. Mas quando voc\u00ea vai descascar a tangerina n\u00e3o t\u00eam peda\u00e7os da casca que est\u00e3o mais grudados? Eu diria que a gera\u00e7\u00e3o atual est\u00e1 diante de um peda\u00e7o assim. <\/span><\/h6>\n<h3 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">Ent\u00e3o, a miss\u00e3o de voc\u00eas \u00e9 dif\u00edcil. E voc\u00eas v\u00e3o ter que ser muito guerreiros. Muito. Mas para a gente \u00e9 muito lindo ver que voc\u00eas est\u00e3o aqui. \u00c9 muito especial. Porque nasceu para isso. Para ser de todos. E n\u00e3o para ser nosso. \u00a0Aqui, gente, a funda\u00e7\u00e3o: no dia 30 de setembro de 1995 houve o batismo de nossa iniciativa. Foi uma carta que fizemos para comunicar ao mundo que n\u00f3s t\u00ednhamos agora um nome.<\/span><\/h3>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">Notem como tudo \u00e9 lento nessa iniciativa. At\u00e9 para ter um nome. Foi o \u00fanico nome que surgiu. Foi a Daisy, n\u00e3o foi, que saiu com essa (do nome). Ela sonhou?<\/span><\/h6>\n<h4 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> \u00a0<span style=\"color: #993366;\">Ela apresentou o sonho. Era um sonho com Micael, estava na \u00e9poca de Micael, e ela falou, quem sabe o nome \u00e9 esse? A\u00ed todo mundo abarcou.<\/span><\/span><\/h4>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Professora Thassia:<\/span> \u00a0Ela falou para a gente tamb\u00e9m que veio de um sonho, mas de uma m\u00e3e.<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> \u00a0Tem tudo a ver. Micael tem tudo a ver com tudo aquilo que a gente vivenciava e com tudo aquilo que a gente queria de prote\u00e7\u00e3o.<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> Teve uma coisa muito engra\u00e7ada, que n\u00e3o sei se voc\u00eas lembram. Ela consultou uma amiga que estudava Letras para saber o que o sufixo (da palavra \u201cMichaelis\u201d) significava. Ela (Daisy) falou: Ela (a amiga)me disse que <span style=\"color: #993366;\">Michaelis significa\u201c aqueles que pertencem a Micael\u201d. No outro dia, ela (Daisy) falou: \u201cOlha, ela se enganou: \u201cS\u00e3o aqueles que chamam Micael\u201d.<\/span> \u00a0Ent\u00e3o dificultou mais porque a gente j\u00e1 queria estar inclu\u00eddo como\u201caqueles que pertencem\u201d (risos dos presentes). Mas n\u00e3o descobrimos qual seria esse sufixo (<\/span><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">de estar inclu\u00eddo). Ent\u00e3o ficou este (nome) mesmo. Foi a <span style=\"color: #993366;\">Sabine<\/span> que fez o logotipo, que usamos at\u00e9 hoje. <\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> Inclusive tem at\u00e9 uma placa de madeira guardada aqui.<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> \u00a0Mas olha a carta. \u00c9 muito engra\u00e7ada. Tem a letra da Daisy.<\/span><\/h6>\n<h5 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #993366;\">\u201cQueridos amigos. No dia 30 de setembro, houve o batismo de nossa iniciativa que h\u00e1 dois anos e meio caminhava sem nome\u201d. \u00a0<\/span><\/span><\/h5>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> \u00a0Dois anos e meio! <span style=\"color: #993366;\">Em 2000, a gente fundou a APAM. <\/span><\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Participante:<\/span> \u00a0A\u00ed eu cheguei.<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> Eu j\u00e1 tinha voltado, eu reassumi a sala de Jardim. E mais uma m\u00e3e, a <span style=\"color: #993366;\">Cristina, a C\u00e1tia, a M\u00e1rcia<\/span>, v\u00e1rias m\u00e3es que se tornaram professoras. Uma inclusive se mudou para S\u00e3o Paulo e fundou um Jardim l\u00e1, a <span style=\"color: #993366;\">Fernanda.<\/span> A <span style=\"color: #993366;\">Teresa<\/span> tamb\u00e9m. Tiveram os pioneiros da primeira gera\u00e7\u00e3o. A Denise \u00e9 da segunda gera\u00e7\u00e3o. Teve a terceira gera\u00e7\u00e3o que saiu da Gl\u00f3ria e foi para a rua Jo\u00e3o Afonso. <\/span><\/h6>\n<h4 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">O que \u00e9 importante? \u00c9 sentir que cada \u00e9poca espec\u00edfica tem uma tarefa espec\u00edfica.<\/span><\/h4>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\">A nossa, que estava l\u00e1 na Tijuca, foi fundar, foi ter a coragem de \u201ccome\u00e7ar o come\u00e7o\u201d. Depois tiveram outros desafios. Foi de novo uma funda\u00e7\u00e3o iniciar o ensino fundamental. Olha quando n\u00f3s conseguimos! Eu j\u00e1 n\u00e3o estava mais. Eu me desliguei e fui para S\u00e3o Paulo. Fui porque eu lutei, lutei, lutei no ano de 2004 para que abr\u00edssemos o fundamental, e n\u00e3o abrimos, n\u00e3o houve for\u00e7a para isso. Ent\u00e3o eu falei: \u201cAgora vou oferecer uma escola Waldorf para meus filhos e fui para S\u00e3o Paulo\u201d. E s\u00f3 foi aberto em 2009! A gente v\u00ea jardim Waldorf come\u00e7ando e em tr\u00eas anos j\u00e1 v\u00e3o para o Fundamental. <\/span><\/h6>\n<h4 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #993366;\">Ent\u00e3o, aqui a gente precisa ter muitos guardi\u00f5es porque parece que o castelinho a gente constr\u00f3i, o mar vem de noite e desfaz. Voc\u00ea constr\u00f3i de novo, ele vem e desmancha. A gente tem que fazer e fazer mil vezes. Mas em 2009 (o Fundamental) foi iniciado.<\/span><\/h4>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Fundadora:<\/span> \u00a0A APAM tamb\u00e9m, est\u00e1 ali escrito: discuss\u00e3o do Estatuto e discuss\u00e3o dos par\u00e2metros em meados de 1993. Ela s\u00f3 (se) concretizou em 2000!<\/span><\/h6>\n<h6 class=\"p1\" style=\"text-align: left;\"><span class=\"font-329340\" style=\"color: #808080;\"><span style=\"color: #800080;\">Paula Levy:<\/span> \u00a0Em 2000, gente! Eu fui a primeira presidente. A Daisy como vice-presidente. Depois ela foi v\u00e1rias vezes presidente. Anotei aqui, em 1993, (discuss\u00e3o sobre) trimembra\u00e7\u00e3o do organismo social, tenho isso aqui anotado no meu calend\u00e1rio.<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><span class=\"font-329340\" style=\"color: #800080;\">M\u00e3es fundadoras do Jardim-Escola Michaelis: <\/span><span style=\"color: #808080;\"><span class=\"font-329340\">Dora Mour\u00e3o, <\/span><span class=\"font-329340\">Elaysie Gon\u00e7alves Paulo, K\u00e1tia Regina dos Santos, Martha Zuim de Souza, Milca Rabelo Colombo, Rosana Guter Nogueira, Zuleide Pereira<\/span><\/span><\/h6>\n<pre><span style=\"color: #800080;\"><span class=\"font-329340\">Foto 1: <span style=\"color: #808080;\">provavelmente turma de 2004<\/span>\r\n<\/span><span class=\"font-329340\">Foto 2: <span style=\"color: #808080;\">Melissa Paro e Th\u00e9o, em 2003. Entrada da casa na Gl\u00f3ria quando \u00e9ramos\r\naproximadamente 20 fam\u00edlias.\r\n<span style=\"color: #800080;\">Foto 3:<\/span> Rosana Guter, Milca Colombo, Paula Levy, Martha Zuim\r\n<span style=\"color: #800080;\">Foto 4:<\/span> roda de conversa com a Paula Levy, 2018\r\n<span style=\"color: #800080;\">Foto 5:<\/span> carta escrita por Daisy Augusta R.S. Cabreira para o batizado da escola em 30 de\r\nSetembro de 1995. Esta carta foi guardada pela professora Paula Levy e nos foi presenteada\r\nem 2018, em nosso anivers\u00e1rio de 25 anos.<\/span><\/span><\/span><\/pre>\n<p>[\/vc_gutenberg][vc_single_image media=&#8221;76167&#8243; media_width_percent=&#8221;100&#8243;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_single_image media=&#8221;76152&#8243; media_lightbox=&#8221;yes&#8221; media_width_percent=&#8221;100&#8243; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fmichaelis.org.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2018%2F06%2FCalenda%25CC%2581rioMichaelis2019.pdf|title:Baixar%20em%20PDF|target:%20_blank|&#8221;][vc_single_image media=&#8221;76164&#8243; media_width_percent=&#8221;100&#8243;][vc_single_image media=&#8221;76129&#8243; media_lightbox=&#8221;yes&#8221; media_width_percent=&#8221;100&#8243; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fmichaelis.org.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2018%2F06%2FCalenda%25CC%2581rioMichaelis2019.pdf|title:Baixar%20em%20PDF|target:%20_blank|&#8221;][vc_single_image media=&#8221;76130&#8243; media_lightbox=&#8221;yes&#8221; media_width_percent=&#8221;100&#8243; media_link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fmichaelis.org.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2018%2F06%2FCalenda%25CC%2581rioMichaelis2019.pdf|title:Baixar%20em%20PDF|target:%20_blank|&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/1&#8243;][vc_gutenberg] A funda\u00e7\u00e3o do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":76129,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[92],"tags":[],"class_list":["post-76127","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/michaelis.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/76127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/michaelis.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/michaelis.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/michaelis.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/michaelis.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=76127"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/michaelis.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/76127\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/michaelis.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/76129"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/michaelis.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=76127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/michaelis.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=76127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/michaelis.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=76127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}